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Havíamos de estar a celebrar

Havíamos de estar a celebrar

Deviam haver razões para celebrar, em vez de se pensar onde ir jantar fora, que flores comprar, quantas vezes lhes dizer o quanto gostamos delas e nos são importantes na vida.

Havia de haver já igualdade porque, na verdade, cada instante que passa, é continuar a fazer-se tarde e não há bombom, jantar ou ramo de flores que apazigúe o tempo que passa.

Havíamos de recordar cada mulher que é assediada, maltratada física e emocionalmente, violentada, morta até por quem a deveria amar e respeitar.

É da mulher que a vida nasce, estejamos em que ano estivermos.

É a mulher que vê, reiteradamente, a discriminação a passar-lhe à frente dos olhos; a quem cortam as asas e não deixam sequer trabalhar (muitas das vezes) porque escolheu ser mãe. É quem não vê igualdade salarial nem de postos de trabalho.

Temos lutado por mais e melhor, sempre com vitórias a serem celebradas. Como disse Emmeline Pankhurst “Never surrender. Never give up the fight.”

Em pleno 2018, há ainda quem tome o dia da mulher como mais um dia de propósito comercial, aproveitando a ocasião para marcar encontros, lanches, almoços, oferecer e comprar prendas. Há também quem aceite, de cabeça baixa, que a mulher tem o dever – muitas vezes, até – obrigação de cuidar da casa, enquanto que o homem pouco ou nada faz. A violência no namoro entre adolescentes é aceite, como normal, pelo lado feminino. O assédio é escondido ou contado entre os dentes e poucas vezes a quem de direito. As diferenças salariais e de postos de trabalhos hierarquicamente superiores são notórias.

Temos um mundo para mudar. Mentalidades para moldar. Mostrar que somos tão capazes e necessárias, para tudo, quanto os homens e que por isso, somos dignas de todo e qualquer respeito.

E no fim de contas, passem os anos que passarem, estejamos onde estivermos, haverá sempre um ponto de destaque: cabe apenas e só à mulher a capacidade de parir vida nova.

Havíamos de estar a celebrar a igualdade. Lá chegaremos.

Sofia Fonseca Costa

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