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Uma Voz Silenciada pela Defesa dos Direitos Humanos…

Uma Voz Silenciada pela Defesa dos Direitos Humanos…

A morte abruta de Marielle Franco, após denúncia de casos de violação de direitos humanos, assassinatos vários levados a cabo por policiais, em especial contra pessoas de raça negra, põe-nos a mão na consciência, e faz-nos tremer nas conclusões.

Será fácil afirmarmos que este não é o mundo em que queremos viver! Mas fazendo uma ponderação mais introspetiva dos vários cenários mundiais, podíamos facilmente concluir pela nossa inércia, e até pelo nosso consentimento, por não Ação, de alguns comportamentos.

Comportamentos condenados pela sociedade, mas não punidos devidamente, igualam, em boa parte, ao nosso consentimento tácito a estas realidades.

A morte de Marielle é, em parte, resultado do silêncio e da inércia da sociedade, não apenas a brasileira.

O caminho, longo, para chegarmos à plena igualdade de direitos entre pessoas, raças e classes sociais, parece ter-se distanciado novamente, e o Mundo volta a assemelhar-se a um emaranhado de conflitos étnicos e sociais, cujo pano de fundo vai sendo sustentado pelas diferentes formas de capacidade financeira.

Marielle deu voz a uma causa maior, que incomodou, e fez com que os seus adversários sentissem a necessidade monstruosa, de a calar, da forma mais hedionda.

A vida desta vereadora era coletiva, não pelo cargo exercido, mas especialmente pelas causas que defendeu. A vida das pessoas que defendem uma causa que vai além dos direitos individuais, que visa proteger uma colectividade, é uma vida maior, é uma da vida de causas.

O nosso respeito pelos que arriscam todos os perigos para não dizer em voz alta quais as atrocidades cometidas pelos seus pares, deve perpetuar, no tempo e na nossa memória, como outra hora perpetuaram os que igualmente se debateram pelos direitos basilares, e acabaram por morrer por eles.

A voz e a causa de Marielle serão eternas, e nunca silenciadas, recordando-nos que não podemos pactuar, nunca, com o consentimento tácito proporcionado pela nossa inércia, sendo nossa obrigação a procura e defesa activa dos direitos da sociedade igualitária.

Hoje, como no passado, vozes de contestação tendem a ver silenciadas, de forma, mais ou menos violenta, quando o seu eco soa mais alto na defesa dos direitos humanos. Parece estranho que na era moderna, alguém perca a vida por defender direitos que deviam ser adquiridos. Os últimos anos mostraram me que em certas realidades, a garantia dos direitos fundamentais ainda tem um caminho longo a percorrer.

Que hoje, como antes, estas vozes ecoem no tempo, conquistando garantias, tão difíceis, como a igualdade e a dignidade humana.

Lúcia Palma

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